Com o ano 2014 à porta, convém não nos esquecermos que as eleições europeias irão realizar-se já em Maio. No contexto de crise que atravessamos, a Europa torna-se o centro da vida política regional, sendo certo que irá ser debatido o caminho que deve seguir.
Em 2002, as premissas do Tratado de Maastricht, assinado 10 anos antes, tornaram-se uma realidade. A união económica no seio da Europa realizou-se, embora condicionada pela não participação dos países euro-cépticos como o Reino Unido. O destino europeu já estava traçado, para além de uma Europa a 'várias velocidades', o que não era ideal, o sonho europeu acabou por se tornar exequível. A Alemanha também fez parte do Euro, o que parecia uma tarefa delicada, impondo apenas como condição principal um Banco Central Europeu à moda alemã.
Sete anos mais tarde, em 2009, sentiu-se o grande abalo das economias europeias no âmbito da crise económica generalizada, que já tinha oscilado o PIB real da UE em 2008. Foi uma recessão de 4.5% do PIB europeu, chegando a 14.1% na Estónia, 5.1% na Alemanha e 2.9% em Portugal. Embora este índice não seja suficiente para explicar a devastação sofrida pelas economias europeias, indica-nos o essencial: O Euro não resistiu e revelou ser uma presa fácil para a crise.
Em 2012, muitos países europeus, entre os quais Portugal, continuaram com recessões económicas tão ou mais graves do que as observadas em 2009. Os planos impostos pela Troika, cujas qualidades a nível de pensamento económico são dúbias, resultaram numa certa fragilidade de soberania dos estados europeus face às entidades europeias e internacionais. O BCE 'alemão' , que mostrou ser um instrumento inútil face à crise - contrariamente ao norte-americano - e a forma como os países do sul se ajoelham face aos do norte, apontam para um fracasso da união económica europeia que nos deixou desorientados. Hoje é seguro dizer que o Euro falhou.
Maio de 2014 vai chegar já demasiado tarde, porque a crise já actuou. Mas como mais vale tarde do que nunca, é importante saber que mudanças pode trazer. A batalha para o futuro da Europa irá travar-se entre dois campos principais: Os que ambicionam voltar ao passado, ao status quo ante euro; e os que acreditam que o funcionamento da união económica depende da criação, ou aprofundamento, da união política. Sendo o primeiro campo bastante claro, interessa-nos decifrar o segundo.
É claro que a UE não pode continuar da forma que está, e uma união política iria significar, em primeiro lugar, uma significativa perda de soberania. Essa primeira perda, que passaria pela aceitação de laços políticos intrínsecos, não seria necessariamente má. Numa UE em que se nota que uns estados mandam noutros, o fortalecimento político e institucional poderia significar uma diluição de poder dos diferentes estados no espaço europeu, resultando numa maior relevância política da Europa a nível internacional e numa igualdade de poder decisor de todos os estados dentro da mesma. Parece bonito, mas não sabemos quantos dos países que ao verem no que resultou a união económica gostariam de fazer parte de mais um projecto de integração. É uma palavra forte, mas Federação descreve este plano perfeitamente.
Seja como for, quanto ao que nos interessa, Portugal irá ser o bom aluno que tem sido, e em situação alguma irá intervir nos gloriosos planos europeus. Resta-nos saber o que nos espera daqui 10 anos: A implosão europeia consequente da radicalização política que a crise está a originar? A emergência de uma federação europeia? Ou, menos provável, que tudo se mantenha como está, que a Europa do sul se afogue e que a do norte se aguente com dificuldades?
O nosso destino é transparente, não somos o Reino Unido, a nossa voz é pequena e a incompetência política grande. Portugal irá ter o mesmo destino que os seus compatriotas europeus, seja bom ou seja mau: Estamos todos no mesmo barco.
domingo, 29 de dezembro de 2013
sábado, 28 de dezembro de 2013
O que hoje não preveniste amanhã não remedeias.
A Assembleia Nacional Popular Chinesa tomou esta semana duas decisões importantes que evidenciam a mudança que a China tem vivido. A primeira foi a abolição dos campos de re-educação por trabalho forçado (os 'laojiao'), a segunda foi a flexibilização da política de filho único.
Em rota oposta à Europa, na China vão-se ganhando direitos e, lentamente, destruindo algumas instituições da ditadura. Greves em fábricas chinesas obtém aumentos de salário, as importações crescem, a população chinesa vai conquistando e obtendo poder de compra.
O que resultará desta tendência num país que sozinho tem quase o dobro da população da União Europeia e Estados Unidos juntos? A performance chinesa tem estado, até agora, dependente de mão-de-obra barata, do estrangulamento do consumo interno e de uma balança comercial que desde o ano 2000 apenas conhece o termo superavit. Contudo, no mesmo período, o salário médio anual na China tem aumentado a um ritmo de 15% anuais, ultrapassando a taxa de inflação que ronda os 3-7%. Lentamente vai emergindo uma classe média na China, e para alimentar, a 'standards' ocidentais, seria necessário duplicar a produção mundial. Neste fenómeno agrava-se um problema - escassez de recursos.
O chinês de classe média quererá para si exactamente o que vê o europeu ou americano ter, o que me parece um desejo razoável, mas insustentável. Se por enquanto o governo chinês facilmente tem mão na população, com a ocidentalização desta, perderá gradualmente o controlo. A melhoria de vida anda lado a lado com uma mudança de valores. Impor no futuro uma política de filho único como foi imposta no passado poderá ser mais difícil. Quando os protestos começam a obter bons resultados, as más resoluções começam a obter protestos. Assim se passou com a Europa ao longo dos últimos 150 anos e assim se passará na China nos próximos 150.
Regressamos à máxima da economia, gerir os escassos recursos para satisfazer as infinitas necessidades. O problema é que os recursos se aproximam do esgotamento e as pessoas que deles necessitam são cada vez mais.
É insustentável, pelo menos por enquanto, que todo o mundo consuma e desperdice a mesma quantidade de recursos que os 'ocidentais' consomem e desperdiçam. Até porque uns fazem-no a custa dos outros. 'Desculpem lá, chegaram tarde e já usámos mais do que podíamos, não sobra muito para vocês...' não me parece uma solução. Por enquanto consumimos porque não deixamos que os outros o façam e chegará o momento em que essa decisão desliza das garras ocidentais para outras quaisquer, que não hesitaram em consumir à custa dos europeus que 'já tiveram o seu tempo'. Só aí nos preocuparemos com a situação, no exacto momento em que se tornar tarde demais fazê-lo.
É preciso uma mudança no estilo de vida e nos padrões de consumo e desperdício, mas quem gosta de uma mudança que afaste aquilo que conhecemos como conforto?
Ainda é tempo de prevenção, mas porquê prevenir hoje o que se pode remediar amanhã?..
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
É preciso ser
"Eu sou aquilo que tenho. Se não tenho nada, não sou ninguém." (Retirado da obra "Ser ou ter" de Erich Fromm)
Esta é uma triste verdade para muitos dos cidadãos das sociedades ocidentais capitalistas.
Como o próprio sistema fomentou, abandonámos as experiências e o conhecimento pela sua importância na nossa actividade intelectual, abandonámos a profundidade e o humanismo nas relações entre humanos, levando-nos a uma doentia procura pelo bem estar material, acreditando na falsa premissa de que o bem estar nos levaria à suprema felicidade.
Como resultado temos pessoas infelizes, longe de atingirem o seu potencial humano, intelectual, espiritual e ate de solidariedade, presas à avidez do capitalismo e ao egoísmo necessário para lucrar e vingar neste mundo e para o fazer funcionar.
Por isso, vamos ser, em vez de ter.
Vamos ser, vamos amar, vamos respeitar a existência do que nos rodeia sem o desejo de possuir, vamos respeitar a liberdade do outro ser a pessoa que quiser ser, vamos dar as armas a quem nasceu sem elas para poder ser o que quiser. Chega de ter, ninguém é feliz por ter. Chega de acreditar que o dinheiro motiva o trabalho intelectual e que motiva as pessoas a chegarem mais longe.
Que pessoa ocidental é esta que só quer possuir, só quer pensar nas suas posses e nem sequer se preocupa no ser humano que é com os outros, nos sonhos que tem, nas ideias que tem, no amor que partilhou?
A conquista do prazer, vivida com a euforia da concretização do desejo de posse, é seguida de uma tristeza, um vazio, de um sentimento de insatisfação que nos leva a procurar concretizar o prazer seguinte, sem perceber que o vazio é o indicador de ausência de crescimento interior, de ausência de concretização humana e intelectual, ausência de ser.´
Chega de mentiras e de viver de acordo com dogmas impostos por mentes pequenas. Chega de compactuar com esta sociedade capitalista selvagem, obcecada com o material, com a obtenção de lucro. Chega de viver infeliz e a procurar a felicidade onde ela não existe.
Para ser feliz, para evoluir, para acabar com as desigualdades bárbaras entre os Homens e para matar esta sociedade materialista, consumista e auto-destrutiva, é preciso "ser".
"Post coitum animal triste est"
(após o coito, o animal fica triste)
domingo, 22 de dezembro de 2013
Aproveitamento despropositado
O Ministério da Educação e Ciência (MEC) considera que o Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) fez um aproveitamento despropositado das declarações do seu ministro. Despropositadas foram as palavras do ministro, responsável pelas instituições que critica. Não me parece que o pedido de demissão seja válido pelas afirmações do ministro. É válido, sim, pela performance de Crato.
Todo o sistema educativo português tem problemas, e a solução de uns depende da solução de outros. Nenhuma universidade pode funcionar bem enquanto tivermos um ensino secundário problemático, e o mesmo se aplica aos restantes graus de ensino. O problema central é a lógica do nosso ensino. Valorizamos a formação técnica e deixamos de parte a preparação pessoal. Um aluno motivado tem uma taxa de 'successo' maior, uma curva de aprendizagem mais bem desenhada. "A curiosidade matou o gato" é o grande lema do sistema de ensino português. É simultaneamente o lema que destrói qualquer hipótese de motivar alunos. Um aluno curioso é um aluno motivado. Alunos motivados motivam professores, e só assim se constrói um sistema de ensino com alguma lógica. Querem uma boa formação técnica? Primeiro é preciso reunir condições para tal.
Nuno Crato tem a chave: aumentar a exigência. Nisto estamos de acordo. Discordamos apenas no método. Há duas formas de aumentar a exigência: forçar os alunos a acompanhar o ritmo, ou criar as condições para os alunos exigirem eles próprios um ritmo maior, porque quando se gosta de aprender ganha-se sede de conhecimento. A via do MEC é a 'examocracia'. Até podiam adoptar um lema novo: "um exame por dia, não sabe o bem que lhe fazia". Felizmente, o método de Crato não funciona. Nem poderia alguma vez funcionar.
Se decidisse usar os milhões que gasta anualmente em provas de avaliação na contratação de mais professores resolvia dois problemas: diminuía o desemprego no sector e melhorava seguramente a performance dos alunos. Uma turma que tenha um rácio menor de alunos/professor será necessariamente mais bem 'sucedida' por uma razão simples - o ensino torna-se mais 'personalizado'. O diálogo simplifica-se e o professor consegue mais facilmente adaptar as suas aulas às características dos seus alunos. Como esperam que um professor do ensino básico dedique atenção suficiente às suas três turmas de 28 alunos? Enquanto o ensino for gerido como se fosse uma empresa, está destinado ao fracasso. Enquanto uma escola em Vila Real de Santo António receber o mesmo tratamento que uma escola no centro do Porto estão as duas destinadas ao fracasso. A envolvente é diferente, os alunos são diferentes, as suas ambições, desejos e circunstâncias são diferentes, e por serem diferentes não podem ser tratadas como iguais.
Não Nuno, o problema não se resolve com exames. Não Nuno, o problema não é dos politécnicos. O problema conheces tu, e com a tua solução só o vais perpetuar.
domingo, 15 de dezembro de 2013
Que liberdade é essa?
Liberdade para ser livre?
Muito se fala na necessidade de liberalizar o funcionamento
do Estado, emagrecendo-o dando-lhe cada vez mais uma função reguladora. Tudo
isto em função da tal necessidade urgente de liberdade. Mas qual liberdade?
Existem muitas liberdades diferentes. A liberdade de expressão é talvez a das mais conhecidas para os portugueses pois foi uma das mais custosas a ter. Mas esta liberdade que se fala é outra. Aparece de forma abstrata, refugiada em argumentos de maior mobilidade profissional e maior oportunidade de emprego. E eu pergunto: Isso que vocês chamam de liberdade, será um tipo de liberdade?
Existem muitas liberdades diferentes. A liberdade de expressão é talvez a das mais conhecidas para os portugueses pois foi uma das mais custosas a ter. Mas esta liberdade que se fala é outra. Aparece de forma abstrata, refugiada em argumentos de maior mobilidade profissional e maior oportunidade de emprego. E eu pergunto: Isso que vocês chamam de liberdade, será um tipo de liberdade?
E com esta pergunta recordo o velho conselho: A tua
liberdade acaba quando a dos outros começa.
Esta “liberdade” que tanto querem implementar liberta apenas
os fortes, os que por si só nascem libertos e desprovidos de qualquer
necessidade de apoio social. Libertando-os ainda mais, dando-lhes mais
liberdade para liberalizarem ainda mais o nosso país, mas à custa da proteção
de quem não nasceu com a liberdade para decidir que rumo seguir. À custa de
quem nasceu desprotegido e que anseia a liberdade para poder decidir a sua
vida, para poder ser feliz. Mas essa liberdade não nasceu com ele, e, por isso,
como qualquer ser humano, devem-lhe ser dadas todas as oportunidades para poder
ter a liberdade com que não nasceu.
Mas se damos toda essa liberdade a quem nasceu livre, tiramos a liberdade de dar a quem está desprotegido o direito de proteção.
Mas se damos toda essa liberdade a quem nasceu livre, tiramos a liberdade de dar a quem está desprotegido o direito de proteção.
E eu pergunto porquê?
Porque é que a liberdade de uns vale mais que outros? Que liberdade
é essa que destrói o homem ao ponto de ele querer apenas a sua liberdade e a de
mais ninguém? E que homem será feliz a ser livre à custa da liberdade dos
outros? E que homem sem liberdade para decidir poderá ser feliz sem lhe ser dada
a liberdade?
E por isso digo, sem medo ou pedantismo, que não há
liberdade maior que a liberdade de respeitar a liberdade para o outro poder ser
livre.
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
Público: "um mundo sem limites" (mediante pagamento de 9,99€/mês)
Quando surgem os jornais online abre-se uma nova era. Nesta nova era pautada pela diversidade podemos seguir vários jornais, de temas diferentes, linhas políticas diversas e até jornais ou revistas de especialidade gratuitamente. Trata-se de um avanço significativo no que toca à disponibilidade e acesso à informação.
Para os jornais esta nova era significa mais leitores da versão digital e menos leitores da versão impressa. Por outras palavras, mais 'vendas' mas menos receitas. No mês passado o Público deu o primeiro passo para solucionar o problema - limita o número de artigos gratuitos a um nível absurdo, vinte por mês.
O primeiro passo era inevitável. Que fosse um passo atrás, por outro lado, era perfeitamente evitável.
Quando uma empresa desenha uma nova estratégia há vários aspectos a ter em conta. Neste caso, tratando-se de um jornal, podemos apontar alguns: o lucro, o impacto social, o impacto na qualidade e quantidade de notícias entregues, impacto para os trabalhadores da empresa, entre outros, resultantes dessa nova estratégia.
Teriam que encontrar uma solução para aumentar receitas e manter a qualidade dos serviços prestados, mas não precisavam de sacrificar a entrega das notícias. Há dois meses qualquer pessoa poderia ler notícias no website do Público, mas para ler artigos de opinião, reportagens, artigos técnicos e outros que tais, o utilizador teria que pagar. Faz algum sentido, são serviços que têm custos mais elevados por necessitarem de mão-de-obra especializada. Para além disso, trata-se de informação de outra natureza. Esta lógica não era a ideal, mas era aceitável. As notícias essenciais estavam disponíveis para quem as quisesse, e as especializadas seriam pagas por quem as desejasse.
Agora podemos ter tudo, "nasceu um mundo sem limites" diz o 'banner' que me proíbe de ler mais notícias por ter excedido o limite mensal. Sem limites mediante pagamento de dez euros mensais.
Incomoda-me que ao desenhar a nova estratégia o lucro tenha sido o aspecto preponderante e que o impacto social da medida não tenha tido grande peso na decisão. Especialmente tratando-se de um jornal, que pelo papel que desempenha tem um forte impacto na nossa sociedade.
Imaginando que a estratégia do Público se torna um modelo entraríamos numa nova (ou antiga) fase: a fidelização e privatização da informação. Imaginando que todos os jornais praticariam o mesmo preço, quem gostasse de dois jornais diferentes e recebesse o salário mínimo gastaria quase 5% do seu rendimento mensal para os poder ler. Falamos de informação, um bem quase essencial.
Esta nova fase não é uma evolução, é um retrocesso.
Se calhar publicidade resolveria o problema. Talvez desse menos lucro, mas pelo menos poderíamos continuar a ler notícias de vários jornais para obter uma visão mais completa da actualidade, mesmo que bombardeados por publicidade. Quem não a desejasse, gostasse de ler crónicas ou reportagens e tivesse meios para pagar, poderia sempre pagar a assinatura. Eles têm a balança, e o cifrão pesa sempre mais. Demais.
Não compactuo com este tipo de estratégia e como protesto não utilizarei mais o site do Público. Apelo a todos os não-assinantes que o façam também, pode ser que a queda de visualizações tenha algum impacto na continuação, ou não, desta estratégia.
domingo, 8 de dezembro de 2013
O que é ser de esquerda hoje?
Nós que nos auto-intitulamos de
esquerda, sob a égide da igualdade, fazemos questão de proclamar a diferença
para com outros grupos idealistas.
Porquê? Será por uma
necessidade de demonstração do bem sobre o mal?
Não, escolho pensar que não. É
pela necessidade urgente do humano pensar pelo humano, para o humano.
Viver é escolher, e esta
escolha está sempre condicionada por tudo o que nos rodeia, desde o interior ao
exterior do próprio ser humano. A única certeza que eu tenho na vida, é que
mais tarde ou mais cedo, vamos todos morrer, cessar de existir, e por isso
mesmo escolho aproveitar o tempo que disponho neste planeta para realizar o
maior número de acções que tornem a minha vida e a dos que virão um pouco mais
agradável.
Ao debater o tema deste artigo
com a pessoa que mais me influenciou a nível político, a senhora minha mãe, fui
confrontado com uma observação bastante pertinente:
“Ok, és de esquerda e vais
tentar fundamentar essa tua escolha, mas pensa também no porquê de não seres de
direita.”
E porque será? Após algum tempo
a procurar no meu pensamento argumentos para me distanciar da ideologia defendida
pela ala direita da política, cheguei a uma conclusão algo simples:
Não sou de direita, porque não
compactuo com a perpetuação das minorias.
Que elas existem e provavelmente
sempre existirão, eu sei. Mas julgo que é através do pensamento de esquerda, e
dos seus valores de igualdade, liberdade, e respeito pelo próximo (tendo em
conta as suas próprias definições para estes conceitos) que podemos encurtar ao
máximo as diferenças que hoje verificamos.
Numa interacção social livre de
preconceitos e respeitadora da diferença, não existe uma necessidade de definir
uma diferença entre esquerda e direita, pois seriam os valores que mencionei
antes os pilares da interacção humana.
Mas
calma, não sou assim tão ingénuo. É preciso ter uma visão pragmática e acima de
tudo, realizável. Por isso, hoje, ao me afirmar como um sujeito político de
esquerda, estou a fazer a minha declaração pública de ruptura com os sistemas de
interacção social vigentes em todos os âmbitos da nossa sociedade.
A razão que eu vejo para me identificar com a esquerda prende-se com a necessidade de mudança. A esquerda é a utopia, e a utopia não é um objectivo, é o caminho a percorrer com a esperança de ver nascer uma geração de seres humanos que não sejam limitados pelo seu lugar de nascença. É o que qualquer indivíduo de esquerda, como eu a vejo, defende: A igualdade de oportunidade.
Ultimamente, espero que a maior
condicionante do ser humano seja também a sua melhor característica, a
LIBERDADE.
Ser de esquerda hoje é ser
alguém que quer o melhor possível para todos e não apenas para si. É ser alguém
que está disposto a lutar pelo que defende, recorrendo a todas as armas que
dispõe, sendo a mais importante o seu discurso. É ser um sonhador acordado, é
ser um positivista, é ser o que muitos chamam irrealista, e mesmo assim, é ser alguém
que não desiste do Homem.
Subscrever:
Mensagens (Atom)